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2012 vem aí...o que esperar?
por JOSÉ ALBERTO DA SILVA JÚNIOR - quarta, 9 novembro 2011, 12:12
 

Artigo escrito por Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística Ltda

Marco Antonio Oliveira Neves, Diretor da Tigerlog Consultoria e Treinamento em Logística LtdaAproximamos-nos do final de ano e muitas Transportadoras e Operadores Logísticos começam a discutir o plano estratégico para os próximos anos, em especial para 2012. Afinal, o que esperar do ano vindouro?

Neste momento de definições, muitos empresários e executivos do setor de logística e de transportes alegam grandes incertezas para prever os cenários futuros, porém a única coisa que podemos afirmar neste momento é que não existem incertezas, mas muitas CERTEZAS.

É certo, por exemplo, que os países da Europa Ocidental continuarão enfrentando problemas com o déficit fiscal, desemprego, redução do poder de compra da população, desconfiança de investidores, etc., e que não deverão apresentar crescimento algum nos próximos anos, permanecendo estagnados ou até entrando em recessão. Como importante parceiro comercial de todo o Mundo (inclusive do Brasil), a Zona do Euro pode, de certa forma, prejudicar a dinâmica da economia global. Isso é quase certo!

Também é certo que os Estados Unidos crescerão a taxas mínimas nos próximos anos, entre 2,0% e 2,5%, mas que continuarão trabalhando seriamente para sanar o problema da dívida pública, para crescer de forma sustentada num futuro muito próximo.

Também é correto afirmar que os países emergentes que compõem o BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) continuarão crescendo muito acima da média mundial, impulsionados pelos investimentos externos, pelos gastos do setor público e pela demanda interna, ávida pelo consumo de bens não-duráveis e semi-duráveis.

A China mesmo apresentando algumas oscilações, continuará sendo o "motor" da economia mundial, com forte e contínuo crescimento. A alta taxa de investimento interno garantirá o crescimento da China nos próximos anos, embora pressione a inflação no país e o nível de endividamento do setor público. Esse modelo de crescimento econômico poderá se esgotar no futuro, mas não ainda em 2012 ou 2013.

A Rússia crescerá a taxas muito semelhantes à economia brasileira; para 2012 as expectativas giram entre 4,0% e 4,5%. Se resolver seus problemas relacionados à inflação, à dependência da economia de recursos minerais e o clima para negócios, a Rússia deverá apresentar um crescimento sustentável no médio e longo prazo.

No caso da Índia, esse intrigante país continuará crescendo a taxas muito altas, ao redor de 7,0% a 8,0% ao ano, apesar de apresentar dificuldades para controlar a inflação, que beira dois dígitos. Estima-se que o PIB (Produto Interno Bruto)  da Índia supere o PIB (Produto Interno Bruto) dos Estados Unidos até 2050, passando a ocupar a segunda posição dentre os países mais ricos do mundo, ficando atrás apenas da China. E segundo estudos da ONU, em 2021 a Índia desbancará a China como país mais populoso do mundo. Até o final deste século a Índia deverá se consolidar como a maior potência econômica do mundo.

Já o Brasil deverá apresentar um crescimento no PIB (Produto Interno Bruto) de 3% a 4% em 2012, sustentado pela demanda interna e pelos investimentos externos.

O Brasil continuará sendo alvo dos investimentos estrangeiros diretos; em 2011 o fluxo de capital estrangeiro previsto para 2011 pelo Banco Central é de US$ 60 bilhões, um novo recorde atingido. Para 2012 as estimativas são ainda mais positivas! Por sua vez, o grande afluxo do investimento externo contribuirá para "desnacionalizar" a economia, pressionar o câmbio e inflar os ativos, colaborando para a ampliação das importações e remessas de lucros. Isso não será um problema em 2012, 2013 ou 2014, mas talvez se transforme em um grande problema no futuro.

Manteremos o desemprego a taxas muito baixas, próximo dos atuais 6% a 6,5%, garantindo a expansão do poder de compra das parcelas menos favorecidas da sociedade e o seu deslocamento para patamares superiores, especialmente para as classes B e C.

A inadimplência de pessoas físicas e jurídicas também deverá se estabilizar ao redor de 6,5% e 3,5% respectivamente, sem proporcionar qualquer impacto negativo sobre a economia.

A inflação, estimada em 6,5% para 2011, deverá alcançar melhores indicadores em 2012, ficando ao redor de 5,0% a 6,0%. Novamente, nada que afete o resultado da economia.

A presidente Dilma Roussef e seu ministro Guido Mantega continuarão lançando mão de estratagemas visando proteger a indústria nacional, com incentivos fiscais e elevação de alíquotas para a importação de determinados produtos. Mesmo assim as importações continuarão se elevando e o Brasil deverá apresentar déficit na balança comercial.

O dólar deverá oscilar entre R$ 1,65 e R$ 1,75 e no caso de algum tipo de ataque especulativo com moeda estrangeira, o Brasil estará amparado por reservas que hoje ultrapassam US$ 350 bilhões.

O único risco para o Brasil é o próprio Brasil. Se não fizermos a "lição de casa", principalmente no que se refere à educação, à infra-estrutura logística, saneamento, energia e telecomunicações, aí sim teremos grandes limitadores para o crescimento no longo prazo. Os grandes eventos previstos para 2014 e 2016 impulsionarão de certa forma o setor público nesse sentido, mas será insuficiente em função da falta de investimentos no passado. Precisamos ir muito além disso, para garantir que o Brasil seja a quinta maior economia do mundo até 2020, ultrapassando Rússia e Alemanha, ficando atrás apenas de Estados Unidos, China, Japão e Índia.

Portanto, para 2012, se nenhum fato político relevante ou catástrofe natural de grandes proporções ocorrer, teremos um ano positivo, com um crescimento de 10% a 15% no meio logístico. Em 2013 o cenário também não deverá ser muito diferente disso.

Já para 2014 em diante, o cenário dependerá da evolução das economias dos Estados Unidos, China, Índia, Japão e Rússia e dos países da Zona do Euro, em especial Itália, Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda.

Portanto, temos um 2012 com várias CERTEZAS. Trata-se de um ano de muita ação e não de espera. Na dúvida, aja!

Você, executivo ou empresário do setor de transporte de cargas, aproveite 2012 para rever a infra-estrutura qualitativa da sua empresa. Não aquela relacionada aos terminais de carga, armazéns ou frota, mas aquela ligada a pessoas, processos, tecnologia e sistemas de gestão de cada um dos departamentos-chave da sua empresa.

Que tal dedicar parte dos seus investimentos para rever a sua estrutura de Tecnologia, SAC (Serviço ao Cliente), Vendas e Pós-Vendas, Custeio e Formação de Preços e Operacional? Busque ajuda externa e capacite a sua equipe. Vivemos um excepcional momento para "olhar para dentro" de nossas empresas.

Esta é hora! Tenha CERTEZA disso!!!